Números de arboviroses, monkeypox e tuberculose preocupam no Piauí

O Estado registrou mais de 33 mil casos de dengue, chikungunya e zika, chegou a 37 casos suspeitos de varíola dos macacos, e quanto à tuberculose, o Piauí tem subnotificação, sendo que, em 2021, foram notificados 1.015 casos.


 Números de arboviroses, monkeypox e tuberculose preocupam no Piauí
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Os vetores de doenças podem ter sua disseminação e reprodução favorecida quando os resíduos não são gerenciados corretamente. De acordo com o Ministério da Saúde, o acúmulo de lixo ou seu armazenamento inapropriado, além da falta de armazenamento, favorece a proliferação de vetores ou patógenos.

Em 2022, o Piauí tem vivenciado um surto das arboviroses, indicativo constatado pelos números contidos no Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Segundo os dados, até setembro deste ano, o Estado registrou mais de 33 mil casos de dengue, chikungunya e zika.

A prevalência dos casos impressiona, foram notificados 24.626 diagnósticos de dengue, com uma incidência de 748,7 casos para cada 100 mil habitantes; 8.996 de chikungunya, com taxa de 273,5 a cada 100 mil habitantes; e 205 de zika, com incidência de 6,2 casos por 100 mil habitantes.

Nesse cenário, o alerta é direcionado aos cuidados das autoridades e da população. Se não for feito o acondicionamento adequado dos resíduos sólidos, há um grande risco à saúde pública, sendo que os vetores de arboviroses se reproduzem em pequenos depósitos de água e, em grande parte, esses reservatórios são provenientes da má gestão dos resíduos.

O coordenador do setor de engenharia, segurança e meio ambiente do Grupo Natus Ambiental, Rafael Marques, explica como os resíduos devem ser descartados para evitar doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti.

“Para evitar a proliferação da dengue a população nunca deve descartar resíduos em terrenos baldios, pois os mesmos podem servir como local de foco do mosquito o Aedes Aegypti que é o vetor da dengue. O correto é apresentar os resíduos para coleta, seja ela pública ou privada, para sua destinação em aterro sanitário devidamente licenciado”, afirma.

Rafael também alerta a população sobre o descarte irregular dos resíduos. “O correto é não descartar resíduos em terrenos baldios, já que durante esse período de chuvas, essas áreas de disposição irregular, podem virar criadouros do mosquito vetor da dengue. Sem falar que o descarte de resíduos nessas áreas é considerado crime ambiental. O correto é sempre acondicionar os resíduos em sacos fechados e armazená-los temporariamente em local coberto. Até que seja apresentado a coleta para sua destinação final ambientalmente adequada”, destaca.

Varíola dos Macacos

O Piauí chegou a 37 casos suspeitos de varíola dos macacos, segundo boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) atualizado nesta quinta-feira (20). Em relação aos casos confirmados, o estado soma 23 pessoas infectadas pela doença.  

De acordo com o painel, ao todo, foram notificados 179 casos e 105 foram descartados. Outros 6 casos foram excluídos e 8 seguem como indeterminados. Também não foi registrado nenhum óbito pela doença. 

Ainda conforme o painel da Secretaria, a capital Teresina é a que concentra maior número de casos, com 18 pessoas. Nas cidades de Batalha, São João da Varjota, José de Freitas, Picos e Parnaíba concentram os outros 5 casos. 

A doença é transmissível de paciente para paciente, principalmente na fase em que as feridas murcham.  

Tuberculose

A Secretaria Estadual de Saúde do Piauí (Sesapi) informou que o número de casos positivos de tuberculose está subnotificado, pois faltam testes para a detecção da doença no estado. A Semana Estadual de Prevenção e Combate à Tuberculose acontece até sexta-feira (21).

Em entrevista à TV Clube, a vice-presidente do Conselho de Secretarias Municipais do Piauí (Cosems), Leopoldina Cipriano, revelou que os 224 municípios do estado têm enfrentado dificuldades para realizar exames e enviar ao Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí (Lacen).

“O município tem que coletar no município e referenciar pro Lacen, já que nas regiões não há nenhum laboratório habilitado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que garanta o resultado. Ou tem que fazer a aquisição desses exames na rede privada, pagando pra poder garantir ao usuário a testagem”, comentou.

De acordo com a supervisora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose e da Hanseníase da Sesapi, Ivone Venâncio, em 2021, foram notificados 1.015 casos. Destes, 745 são novos, ou seja, de pessoas que adquiriram a doença naquele ano.

“O Piauí tem subnotificação de casos. Não é que não existam os casos, os casos existem, mas não foram identificados. Dentro da realidade dos 224 municípios, somam-se mais de 600 casos por ano”, disse.

Dor torácica é um dos sintomas da tuberculose — Foto: Raíza Milhomen/Prefeitura de Palmas
Dor torácica é um dos sintomas da tuberculose — Foto: Raíza Milhomen/Prefeitura de Palmas

Em 2019, o índice de mortalidade da doença era de 1,6 para cada 100 mil habitantes. Já em 2020, aumentou para 2 a cada 100 mil habitantes. Para o médico infectologista Nayro Ferreira, o diagnóstico precoce é uma das formas de reduzir a taxa.

“Precocemente, a gente consegue pegar casos ainda iniciais, consegue tratar e reduzir o número de óbitos. Não existe remédio vendido em farmácia, o tratamento é dado pelo SUS. Tuberculose ainda é uma doença que mata muito no Brasil, tanto criança como adultos jovens, como idosos”, concluiu o médico.

Sintomas e tratamento

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa atingir outros órgãos. Entre os sintomas, estão tosse, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço/fadiga.

A transmissão acontece pelas vias áreas. Ao falar, espirrar e principalmente ao tossir, as pessoas com tuberculose ativa lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos e que podem ser aspirados por outros indivíduos levando à infecção.

A tuberculose pode ser curada se tratada adequadamente. O tratamento dura no mínimo seis meses e consiste na ingestão diária dos medicamentos da tuberculose pelo paciente, sob a observação de um profissional da equipe de saúde.

Fonte: Meio Norte/Lupa 1/G1 PI

Samuel Aguiar

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